Além da economia na conta de luz, o serviço proporciona mais segurança ao usuário e ao patrimônio

 

Não há dúvidas de que o avanço da tecnologia e o maior poder aquisitivo da população brasileira transformaram a forma de consumir energia. Uma casa, por exemplo, dimensionada há vinte anos para um chuveiro e uma geladeira, precisa hoje sustentar inúmeros aparelhos elétricos.

“Com instalações subdimensionadas, há mais cargas do que foi projetado. Daí as fiações não atendem mais o nível de consumo e sofrem aquecimento, colocando o local em risco de incêndios e desperdiçando energia”, analisa Edison Motoki, professor de Engenharia Elétrica da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Dentro desse panorama, a revisão de instalações elétricas torna-se essencial. Sua função é identificar alimentadores, circuitos, quadros elétricos, tomadas e outros elementos incompatíveis para atender às novas demandas de consumo, seja em projetos residenciais, comerciais ou industriais. “Revisar as instalações e fazer manutenções periodicamente garante redução de gastos com investimentos e consumo. É como a revisão de um carro”, compara o professor.

VANTAGENS

Segurança – “O primeiro e mais importante benefício de uma revisão é o aumento da segurança das pessoas e do patrimônio, e isso não tem preço nem taxa de retorno de investimentos, pois envolve vidas”, defende Hilton Moreno, diretor da Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade) e membro do Comitê Brasileiro de Eletricidade da ABNT.

Moreno diz, também, que a revisão pode gerar um efeito econômico positivo, reduzindo o consumo de energia elétrica da instalação. “Dependendo da extensão desta revisão e do tamanho e idade do imóvel, a economia pode ser de até 10% no valor total da conta de energia”.

Redução no consumo – Existem dois motivos que garantem a redução no consumo de energia. O primeiro consiste na troca de produtos velhos por novos, que apresentam menores índices de perdas. “Essa redução pode ser devido à troca de condutores elétricos, que já não estão adequados, ou pelo aumento de seção nominal conforme o consumo atual de energia de cada circuito da instalação”, cita Nelson Volyk, engenheiro eletricista e gerente de Engenharia de Produto da SIL Fios e Cabos Elétricos.

O segundo motivo refere-se a novas tecnologias, como uso de lâmpadas LED, motores de alto rendimento e inversores de frequência para a partida de motores. Segundo a Anamaco(Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção), a revisão das instalações elétricas, somada à substituição das lâmpadas atuais pelas de LED pode ocasionar uma economia média de 30% na conta de energia.

“Não é possível estimar a redução global no consumo de energia, pois ela varia caso a caso em função dos produtos e equipamentos presentes na instalação”, considera Moreno.

 

QUANDO REVISAR

1. Por tempo de uso
Produtos utilizados nas instalações elétricas envelhecem com o tempo e, progressivamente, perdem sua vida útil. Durante esse processo, podem ocorrer falhas de funcionamento, perdas de energia e outras inconveniências que afetam a segurança das pessoas e do patrimônio, além de elevar os custos operacionais da edificação. “É neste contexto que realizar uma revisão e atualização das instalações elétricas torna-se muito importante”, esclarece Moreno.

Normativamente falando, não existe um prazo pré-estabelecido para revisar instalações elétricas. Consensualmente, é recomendado fazer a cada cinco ou seis anos. “Dependerá de fatores como data da construção, quantidade de equipamentos utilizados, sinais de problemas e condições dos materiais que compõem a instalação”, especula Volyk.

“Uma primeira revisão deve ser feita no décimo ano da instalação e, depois disso, a cada cinco anos. Nos casos comerciais e industriais deve ser elaborado um plano específico”, recomenda Moreno. “Vale lembrar que os problemas com a energia elétrica nem sempre são visíveis, sendo percebidos somente na ocorrência de algo mais grave”, ressalta Volyk.

2. Por aumento de consumo
A elevação do consumo de energia sem razão aparente também serve para mensurar a necessidade de uma revisão. “Se o histórico de alguns anos indica uma média regular e se não houve mudanças na quantidade e potência dos equipamentos da instalação, não haveria motivo para que o consumo aumentasse de uma hora para a outra”, contesta o diretor.

“Se isso acontecer, há uma chance deste aumento ter sido provocado pelo aumento da corrente de fuga dos componentes da instalação elétrica, como se fossem vazamentos de água por um cano, e isso seria resolvido com uma revisão da instalação elétrica”, completa.

Para que essa análise seja precisa, é necessário ter um histórico e informações referentes ao tipo de consumo do local. Sem isso, o simples aumento da conta de energia não tem relação com a necessidade de revisão das instalações.

COMO SE FAZ

A revisão das instalações elétricas é a mesma para qualquer tipo de ocupação, seja ela comercial, residencial ou industrial. “O que varia é a quantidade e potência dos equipamentos instalados, o que pode resultar em maiores ou menores tempos para a realização da inspeção”, observa Moreno.

Segundo Volyk, a quantidade de quadros também faz diferença entre as instalações. “Em uma residência temos apenas um quadro de distribuição. Já em um comércio temos um ou mais que se assemelham a uma instalação residencial com 110V ou 127V e 220V. Em uma instalação industrial há mais de um quadro de distribuição e cargas bem maiores, além da energia elétrica geralmente ser trifásica”, aponta.

1. Análise do quadro de distribuição
O passo a passo do serviço consiste em uma análise geral e teórica do quadro de distribuição, para verificar quantos circuitos existem e se o número é compatível com o local. Depois, é feita uma análise individual de cada circuito, para observar o valor nominal do disjuntor e a seção nominal do condutor ligado a ele e ao circuito. “Em alguns casos identificam-se falhas de projeto ou erros de instalação, que neste momento devem ser corrigidas”, explica Volyk,

2. Inspeção de cabos, tomadas e interruptores
Após essa etapa de análises, toda a instalação deve ser inspecionada: cabos, tomadas, interruptores e demais dispositivos, assegurando o bom funcionamento do sistema e a segurança dos usuários e do patrimônio.

“Materiais de má qualidade, dimensionamento incorreto ou instalações muito antigas podem provocar aquecimento e fuga de energia, excesso de gastos, danos, acidentes e, em casos mais graves, curtos-circuitos e incêndios”, adverte o engenheiro eletricista.

3. Identificação dos produtos a serem trocados
Após a revisão — com mão de obra especializada —, deve-se identificar produtos a serem trocados ou apenas reparados, como seria o caso de aperto de parafusos que fixam os condutores elétricos em disjuntores, tomadas e interruptores. Refazer emendas e conexões garante que os pontos não gerem perdas elétricas.

4. Ensaios
As instalações elétricas de baixa tensão (até 1.000V) devem ser feitas conforme a norma ABNT NBR 5410, enquanto as instalações de média tensão (de 1.000V até 36.200V) devem atender à ABNT NBR 14039. “Dentro desses documentos encontra-se a descrição dos principais pontos a serem verificados em uma instalação elétrica, que são divididos em duas grandes vozes: inspeção visual e ensaios (testes)”, revela o diretor da Abracopel.

 

É BOM SABER 

• Consumo de energia

O consumo é calculado pela multiplicação da potência do equipamento (Watts) pelo tempo em que ele fica em operação (horas). Os fatores não são afetados pela tensão elétrica (voltagem). “O que muda conforme a voltagem é a tarifa de energia (R$/kWh), que depende da classe de tensão de fornecimento (baixa tensão, média tensão, alta tensão)”, explica Moreno.

Consumidores residenciais, por exemplo, são alimentados em baixa tensão e pagam o mesmo valor de tarifa (R$/kWh), independentemente de usarem equipamento em 127V ou 220V. “Um chuveiro elétrico de 7.500W vai consumir a mesma energia se for 110V ou 220V”, exemplifica Volyk.

 

Fonte: AEC Web

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